Coinbase Estaria Negociando Participação na Bybit. Entenda a Lógica Estratégica Antes da Euforia

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O Wu Blockchain revelou no dia 14 de março, citando três fontes: a Coinbase está em negociações com a Bybit para uma parceria de investimento estratégico. Nenhuma das partes confirmou. A Bybit estaria avaliada em cerca de US$ 25 bilhões. Se o negócio for fechado, a segunda maior exchange offshore do mundo ganharia uma porta de entrada regulamentada no mercado americano — enquanto a Coinbase conquistaria algo que ainda não tem: alcance offshore global em escala. Veja o que isso realmente significa.

O Que o Wu Blockchain Publicou

O relatório original é curto. Três fontes. Sem cronograma. Sem termos financeiros. Sem comentário oficial da Coinbase ou da Bybit. O Wu Blockchain reportou que a Coinbase está em negociações com a Bybit para uma parceria de investimento, e que o objetivo da Bybit é usar a infraestrutura regulatória da Coinbase para entrar no mercado americano de forma compliant. Esse é o núcleo confirmado da história. Todo o resto é extrapolação — incluindo, para ser claro, a maior parte do que segue.

Dito isso, vale a pena fazer essa extrapolação.

Por Que a Bybit Precisa Mais Disso Do Que a Coinbase

A Bybit é a segunda maior exchange cripto offshore do mundo em volume de negociação, segundo o CoinGecko. Opera a partir de Dubai e não atende diretamente usuários americanos. Em fevereiro de 2025, sofreu um hack de US$ 1,4 bilhão — o maior da história das exchanges de cripto até então — e sobreviveu sem crise de liquidez, o que foi genuinamente impressionante. Recentemente obteve autorização MiCAR na União Europeia, sinal de que a virada para compliance já estava em curso antes de qualquer conversa com a Coinbase.

Mas o mercado americano é outro bicho. Conseguir licença para operar lá não se resolve contratando advogados. São anos de construção, relacionamentos e um histórico com reguladores que a Bybit simplesmente não tem. A Coinbase tem os três. Vem construindo exatamente essa infraestrutura desde 2012, é listada na Nasdaq e adquiriu a Deribit — a maior exchange de opções cripto do mundo — por US$ 2,9 bilhões em 2025, incorporando a mais sofisticada estrutura de derivativos do setor ao seu balanço. Uma participação minoritária da Coinbase não traz apenas capital para a Bybit: traz o invólucro regulatório que a Bybit não consegue construir rápido o suficiente por conta própria.

Por Que a Coinbase Também Quer

A fraqueza da Coinbase é exatamente o inverso da Bybit. Ela domina nos EUA, mas não no mercado offshore. A base de clientes de varejo e institucionais internacionais que a Bybit construiu ao longo de uma década na Ásia, Oriente Médio e Europa é precisamente o que falta à Coinbase. A aquisição da Deribit trouxe a infraestrutura de derivativos; uma participação na Bybit traria a distribuição. Essa combinação — plataforma regulamentada nos EUA, volume offshore global e derivativos de nível institucional — é o que de fato transformaria a Coinbase na “exchange completa” que ela vem sinalizando querer se tornar. Star Xu, CEO da OKX, foi direto quando perguntado: “Se for verdade, bom para o setor. Padrões mais altos, menos arbitragem regulatória.”

O benchmark de valuation citado é o da OKX, depois que a Intercontinental Exchange — controladora da Bolsa de Nova York — adquiriu uma participação estratégica no início deste ano, avaliando a OKX em aproximadamente US$ 25 bilhões. A Bybit a US$ 25 bilhões é a referência consensual dos analistas. A exchange que faz o IPO de todo mundo entrar no cripto offshore definiu o comparável. Agora, a Coinbase pode estar fazendo o mesmo movimento com a Bybit.

O Atrito Regulatório Que Ninguém Está Discutindo

Aqui está a parte que fica de fora no ciclo de euforia. Qualquer acordo que coloque uma exchange americana listada na Nasdaq em posição de participação minoritária numa plataforma offshore passará por escrutínio regulatório intenso. SEC, FINRA e reguladores estaduais de transmissão de valores terão suas posições. O histórico de hack da Bybit está no dossiê. Seu domicílio offshore está no dossiê. O fato de ter iniciado sua jornada de compliance só recentemente — MiCAR na UE, e nada ainda nos EUA — também está no dossiê.

Tudo isso acontece no contexto do CLARITY Act, que segundo o resumo de desenvolvimentos cripto de março de 2026 da OANDA, passou seu prazo de 1º de março sem finalização, deixando o arcabouço jurisdicional entre SEC e CFTC ainda sem resolução. Os EUA vêm acelerando a regulação cripto a toque de caixa desde o anúncio do Project Crypto da SEC-CFTC no início de março. Mas acelerar a construção de um arcabouço não é a mesma coisa que ter um. Um acordo Coinbase-Bybit estaria navegando essa ambiguidade, não se beneficiando de certeza.

A estrutura em discussão é uma participação minoritária, não uma aquisição. Isso é deliberado. Mantém as duas empresas operacionalmente separadas enquanto cria um alinhamento estratégico. Não exige que a Bybit atenda imediatamente todos os requisitos de compliance americanos. Cria um caminho, não uma barreira.

Como o Mercado Reagiu

COIN fechou a US$ 195,53 em 14 de março, alta de 1,18% no dia. No mês anterior, já havia acumulado ganho de quase 20%. O mercado leu o relatório como confirmação da trajetória estratégica da Coinbase, não como risco — algo interessante, dado o nível de incerteza regulatória que permanece. A leitura institucional parece ser: a Coinbase está construindo a infraestrutura para a próxima fase da estrutura de mercado cripto, e este é mais um dado nessa direção. Se essa leitura resiste ao processo de análise regulatória é outra questão.

Nem a Coinbase nem a Bybit confirmaram qualquer coisa. Sem cronograma. Sem term sheet. Sem registro regulatório. Isso ainda é uma conversa reportada entre duas partes. Se o negócio não se concretizar, isso vai importar muito. Se se concretizar, ninguém vai lembrar.

Fique de olho num comunicado oficial. Esse é o seu sinal.

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Gustaw Dubiel
Gustaw Dubiel
Crypto Editor - Gustaw covers the cryptocurrency space for Finonity, from Bitcoin and Ethereum to emerging altcoins, DeFi protocols, and on-chain analytics. He tracks regulatory developments across jurisdictions, institutional adoption trends, and the evolving intersection of traditional finance and digital assets. Based in Warsaw, Gustaw brings a critical eye to a fast-moving sector, separating signal from noise for readers who need clarity in an often-chaotic market.

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