Um Júri Acaba de Dizer ao Homem Mais Rico do Mundo Que Seus Tweets Têm Consequências. A Multa Não Importa. O Precedente, Sim.

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Um júri de San Francisco considerou Elon Musk culpado por enganar investidores do Twitter durante a aquisição de 2022. As indenizações estimadas ficam entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,6 bilhões. Seu patrimônio líquido é de US$ 661 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. O número que importa não é a multa — é a decisão judicial.

O veredito veio na sexta-feira à tarde, após vários dias de deliberação em um julgamento iniciado em 2 de março. O júri do Distrito Norte da Califórnia concluiu que Musk enganou intencionalmente os acionistas do Twitter com dois tweets em maio de 2022, incluindo a já famosa publicação declarando que o acordo estava “temporariamente suspenso” por preocupações com bots e contas falsas. Duas das quatro acusações de fraude foram rejeitadas, e o júri entendeu que Musk não participou de um “esquema” mais amplo para fraudar investidores, segundo a Bloomberg Law. Mas na questão central — se suas declarações públicas continham informações falsas ou enganosas que prejudicaram acionistas — a resposta foi sim.

A ação coletiva, Pampena v. Musk, foi protocolada em outubro de 2022 em nome de investidores que venderam ações do Twitter entre meados de maio e início de outubro daquele ano. As ações do Twitter caíram abaixo de US$ 33 durante o período de incerteza, cerca de 40% abaixo da oferta original de Musk de US$ 54,20 por ação. Acionistas que venderam nessa janela perderam o pagamento final quando Musk concluiu a aquisição pelo preço original. O júri calculou danos diários entre US$ 3 e US$ 8 por ação ao longo de um período de classe de cinco meses, segundo NPR e OPB.

Os Tweets Que Custaram Bilhões

No julgamento, a argumentação se concentrou em um conjunto restrito de declarações públicas. Em 13 de maio de 2022, Musk tuitou que o acordo do Twitter estava “temporariamente suspenso” aguardando detalhes sobre spam e contas falsas. Os advogados dos autores argumentaram que não se tratava de uma observação inocente, mas de um movimento calculado para derrubar o preço das ações — seja para renegociar o acordo por um valor menor, seja para criar uma rota de saída. Musk testemunhou que o tweet não era uma tentativa de cancelar o acordo. “Em nenhum momento eu disse que o negócio estava cancelado”, declarou ao júri, segundo a Fortune. Ele também reconheceu que a publicação foi um erro. “Pode não ser meu tweet mais sábio”, disse. “Não sei se chamaria de mais idiota. Mas se levou a este julgamento, provavelmente se qualifica como tal.”

Joseph Cotchett, advogado dos autores da ação, enquadrou o veredito em termos mais amplos ao deixar o tribunal. “Este caso é muito maior do que o Twitter”, disse à CNBC. “Vai direto ao coração de Wall Street e do que vem acontecendo nos últimos anos. É um grande exemplo do que não se pode fazer com o investidor comum.” Os investidores a que ele se refere não são fundos de hedge. São fundos de pensão, detentores de planos 401(k), professores e enfermeiros que tinham ações do Twitter em carteiras administradas e assistiram o valor desabar enquanto Musk debatia publicamente se sequer queria a empresa.

O Impacto Financeiro É Mínimo. A Exposição Jurídica, Não.

A Quinn Emanuel, equipe jurídica de Musk, sinalizou que um recurso viria antes mesmo de o tribunal se esvaziar. “Vemos o veredito de hoje, em que o júri decidiu tanto a favor quanto contra os autores e não identificou esquema de fraude, como um obstáculo temporário”, afirmou o escritório em comunicado. “E aguardamos com expectativa a reversão em segunda instância.” Mesmo que a estimativa total de US$ 2,6 bilhões se mantenha — o que pode não acontecer após o processamento das reivindicações —, o valor representa cerca de 0,4% do patrimônio líquido atual de Musk segundo o Bloomberg Billionaires Index. Um erro de arredondamento para o réu. Um marco para os autores.

Mais importante que o valor em dólares é o precedente. Musk está, separadamente, em negociações para encerrar um processo da SEC que o acusa de não ter divulgado adequadamente suas compras iniciais de ações do Twitter no início de 2022, conforme documento judicial desta semana. Esse caso cobre condutas diferentes, mas a mesma aquisição. Um padrão de decisões desfavoráveis em torno do acordo do Twitter, mesmo que parciais, torna futuras ações de fiscalização mais fáceis de conduzir e mais difíceis de descartar como politicamente motivadas. Os mercados já estão pressionados por vendas impulsionadas pela guerra, e a última coisa de que detentores institucionais de Tesla, instrumentos ligados à SpaceX ou exposição à xAI precisam é um ciclo de manchetes sobre responsabilidade por fraude em valores mobiliários vinculada à pessoa no centro de todas essas três empresas.

A Empresa Não Existe Mais. O Veredito, Sim.

Considere a cadeia de eventos. Musk comprou o Twitter por US$ 44 bilhões em outubro de 2022, rebatizou-o de X, fundiu-o com sua empresa de IA xAI e depois incorporou a entidade combinada à SpaceX. A empresa sobre a qual os acionistas foram enganados não existe mais como entidade independente. Foi absorvida por uma contratada privada dos setores aeroespacial e de defesa que detém contratos governamentais e credenciais de segurança. O veredito do júri se aplica a condutas de 2022. Mas a questão estrutural que levanta é se um participante do mercado público pode usar declarações enganosas para adquirir uma empresa, tirá-la da bolsa e depois incorporá-la tão profundamente a uma estrutura corporativa ligada ao governo que a prestação de contas vire mero detalhe.

Por ora, a resposta vinda do tribunal de San Francisco é que os tweets foram enganosos, os acionistas foram prejudicados e as indenizações serão calculadas. A equipe jurídica de Musk vai recorrer. A administração das reivindicações levará cerca de 90 dias para ser organizada, segundo a CNBC, e mais alguns meses antes que qualquer investidor receba pagamento. O mercado mais amplo teve seus próprios problemas na sexta-feira, com o S&P 500 caindo 1,51% e o Dow atingindo sua mínima de 2026. Esse veredito caiu em uma semana em que tudo estava desabando. Vai ganhar mais destaque quando as manchetes sobre a guerra se acalmarem. Responsabilidade por fraude em valores mobiliários não prescreve quando o ciclo de notícias segue em frente.

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Mark Cullen
Mark Cullen
Senior Stocks Analyst — Mark Cullen is a Senior Stocks Analyst at Finonity covering global equity markets, corporate earnings, and IPO activity. A London-based professional with over 20 years of experience in communications and operations across financial, government, and institutional environments, Mark has worked with organisations including the City of London Corporation, LCH, and the UK's Department for Business, Energy and Industrial Strategy. His extensive background in strategic communications, market research, and stakeholder management — including coordinating financial services partnerships during COP26's Green Horizon Summit — informs his ability to distill complex market dynamics into clear, accessible analysis for investors.

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