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Uma grande reorganização de ativos energéticos na formação de xisto Vaca Muerta, na Argentina, viu gigantes petrolíferas internacionais venderem mais de US$ 4,6 bilhões em operações para empresas locais e entidades estatais nos últimos 18 meses.
Multinacionais Deixam a Argentina
ExxonMobil recebeu US$ 1,7 bilhão da Pluspetrol por seus campos de petróleo de xisto não desenvolvidos no final de 2024, seguida por outra venda de US$ 327 milhões de uma área de gás de xisto para YPF junto com Qatar Energy. Essas transações abriram as comportas para um êxodo multinacional do que é considerada a formação de petróleo e gás não convencional mais atrativa do mundo com base na qualidade dos recursos, embora menos devido aos riscos econômicos e políticos da Argentina.
A estatal malaia Petronas vendeu seus campos petrolíferos para Vista Energy por aproximadamente US$ 1,34 bilhão no ano passado, enquanto a gigante norueguesa Equinor vendeu US$ 712 milhões em áreas de petróleo de xisto para o mesmo comprador neste mês. A empresa francesa TotalEnergies vendeu seus ativos petrolíferos para YPF por US$ 500 milhões, embora tenha mantido participações em gás. Shell e Petronas se retiraram do projeto de investimento mais ambicioso da Argentina – um empreendimento de exportação de gás natural liquefeito (GNL) com YPF – após falharem em chegar a acordos sobre financiamento e cronogramas.
Empresas Locais Ganham Terreno
Vista Energy, fundada do zero em 2017 por Miguel Galuccio, emergiu como a maior produtora de petróleo 100% privada de Vaca Muerta após suas recentes aquisições. A rápida expansão da empresa exemplifica como operadores locais estão capitalizando sobre a estratégia de saída das multinacionais. Segundo um executivo do setor, empresas internacionais haviam avaliado seus ativos argentinos próximos de zero devido aos controles cambiais (cepo cambiario) que impediam a repatriação de lucros, mas agora veem “uma oportunidade de saída a bons preços”.
Daniel Dreizzen, diretor da consultoria Aleph Energy e ex-subsecretário de Planejamento Energético, explicou que essas petrolíferas estão saindo “a bons preços” para redirecionar investimentos para oportunidades mais lucrativas e menos arriscadas em lugares como Guiana ou Estados Unidos.
Entidades Estatais Entram no Mercado
O desenvolvimento mais promissor envolve a italiana ENI e a emiradense XRG, ambas entidades estatais que se tornaram parceiras vinculantes com YPF no projeto Argentina LNG. Este empreendimento incluirá exportações de gás liquefeito, petróleo e valiosos líquidos de gás natural como etano, propano, butano e pentano usados na petroquímica. YPF busca um quarto parceiro para fortalecer o apoio financeiro para esses investimentos, com Saudi Aramco’s MidOcean como opção preferida, a ser anunciada nas próximas semanas.
Continental Resources, propriedade do magnata americano Harold Hamm – conhecido como “o rei do fracking” – representa a entrada recente mais promissora em Vaca Muerta, embora os números de produção da empresa tenham sido cortados no material fonte.
Controles Cambiais Impulsionam Mudanças Estratégicas
A onda de vendas de ativos reflete a avaliação das multinacionais de que outras oportunidades globais oferecem melhores retornos ajustados ao risco do que a Argentina, apesar da qualidade dos recursos de Vaca Muerta. Empreendedores locais, mais acostumados à volatilidade econômica da Argentina, possuem a experiência para navegar negociações políticas e riscos inerentes do mercado que empresas internacionais preferem evitar.
YPF trocou ativos com Pluspetrol para avançar seu desenvolvimento de GNL e aguarda detalhes oficiais sobre aderência ao Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) da Argentina para investimentos upstream de exploração e produção de hidrocarbonetos, o que permitiria sua parceria com ENI e XRG.