Alamos Gold Registra Fluxo de Caixa Livre Recorde de US$ 352 Milhões Enquanto Ouro a US$ 5.000 Mascara Dificuldades nas Minas Canadenses

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Um aumento de 60% nos dividendos e planos ambiciosos para dobrar a produção até 2030 coexistem com um ano de metas de produção perdidas, interrupções climáticas severas e custos crescentes nas operações da empresa em Ontario.

Números Recordes, Detalhes Incômodos

A Alamos Gold reportou resultados do quarto trimestre e do ano completo de 2025 em 18 de fevereiro, entregando uma série de recordes financeiros que devem mais ao preço do ouro do que à excelência operacional. A receita anual atingiu US$ 1,8 bilhão, alta de 34% em relação a 2024, e o fluxo de caixa livre alcançou US$ 352 milhões — ambos máximos da empresa. A mineradora listada em Toronto realizou um preço médio do ouro de US$ 3.372 por onça no ano e US$ 3.998 por onça apenas no quarto trimestre, este último refletindo o surto do ouro spot acima de US$ 5.000 nos meses recentes. Esses preços mascararam um déficit de produção: a Alamos produziu 545.400 onças em 2025, um declínio de 4% em relação ao ano anterior e abaixo da orientação revisada, após o clima severo de inverno e contratempos operacionais em suas minas canadenses reduzirem a produção na segunda metade.

O mercado, no entanto, escolheu olhar para frente. As ações subiram 4,7% no dia para US$ 62,68, logo abaixo da máxima de 52 semanas, após o CEO John McCluskey anunciar um aumento de 60% nos dividendos — de US$ 0,025 para US$ 0,04 por ação trimestralmente — e apresentar um roteiro de crescimento de cinco anos visando aproximadamente um milhão de onças anuais até 2030. A Alamos retornou US$ 81 milhões aos acionistas em 2025 através de dividendos e recompras, quase o dobro dos US$ 41 milhões distribuídos no ano anterior.

Island Gold: A Aposta Que Precisa Dar Certo

A peça central da estratégia de expansão da Alamos é o Distrito Island Gold no norte de Ontario, que combina a mina subterrânea Island Gold com a operação a céu aberto Magino adquirida através da fusão com a Argonaut Gold em 2024. O distrito produziu 250.400 onças em 2025 e gerou US$ 205 milhões em fluxo de caixa livre no local da mina após absorver todo o capital de expansão do Shaft Fase 3+ e custos de exploração. A Alamos agora está expandindo a capacidade de processamento do distrito para 20.000 toneladas por dia, com operações subterrâneas contribuindo com 3.000 toneladas e mineração a céu aberto com o restante. Uma vez concluída a expansão em 2028, a empresa espera que o distrito produza em média 534.000 onças anuais nos primeiros dez anos com custos sustentáveis totais de US$ 1.025 por onça — mais que o dobro da produção atual com custos unitários aproximadamente 30% menores. Com uma premissa conservadora de ouro a US$ 3.200 por onça, a operação tem um valor presente líquido após impostos de US$ 8,2 bilhões e geraria mais de US$ 800 milhões por ano em fluxo de caixa livre sozinha.

As reservas minerais em toda a empresa cresceram 32% em 2025 para 15,9 milhões de onças, com Island Gold representando quase quatro milhões de onças do aumento. O shaft Fase 3+ está no cronograma para conclusão no Q4 2026, seguido pelo projeto PDA em 2027, a expansão mais ampla do distrito em 2028, e o projeto Lynn Lake até 2029. McCluskey enfatizou que todo o crescimento fica dentro do Canadá e será financiado internamente. O balanço patrimonial suporta isso: o caixa terminou o ano em US$ 623 milhões, alta de 90% em relação a 2024, com dívida reduzida para US$ 200 milhões, deixando caixa líquido de US$ 423 milhões e liquidez total de aproximadamente US$ 1,2 bilhão.

Saída da Turquia, Foco Canadense

A Alamos concluiu a venda de seus três projetos de desenvolvimento turcos para a Tümad Madencilik por US$ 470 milhões em outubro de 2025, recebendo US$ 160 milhões antecipadamente com US$ 310 milhões devidos nos próximos dois anos. Também desinvestiu o ativo não-essencial Quartz Mountain no Oregon. Ambas as vendas direcionaram o portfólio para a segurança jurisdicional canadense — um tema que ressoa com investidores institucionais cautelosos com risco de licenciamento em um ambiente comercial distorcido pela escalada tarifária.

Quando o Ouro Faz o Trabalho Pesado

Os lucros ajustados do Q4 da Alamos de US$ 0,54 por ação e receita de US$ 575 milhões perderam as expectativas dos analistas, mas ainda assim a ação subiu. A explicação é direta: com o ouro spot acima de US$ 5.000 e o Societe Generale mirando US$ 6.000 até o fim do ano, mesmo uma mineradora de ouro operacionalmente medíocre gera fluxo de caixa enorme a esses preços. A orientação para 2026 prevê 570.000 a 650.000 onças com AISC de US$ 1.500 a US$ 1.600, implicando margens de fluxo de caixa livre impensáveis dois anos atrás. A empresa ainda carrega 100.000 onças de hedges legados herdados da Argonaut Gold através da primeira metade de 2027, mas já eliminou 230.000 das 330.000 onças hedgeadas originais antes do cronograma.

Para investidores acompanhando mineradoras de ouro junto com altas mais amplas das ações e compras persistentes de bancos centrais, a Alamos oferece uma aposta específica: que uma produtora canadense de médio porte pode dobrar a produção em cinco anos sem diluir acionistas ou assumir dívida significativa. Se Island Gold cumprirá sua promessa de VPL de US$ 8,2 bilhões — ou se o ouro a US$ 5.000 está simplesmente fazendo o trabalho pesado — ficará mais claro quando o shaft estiver finalizado e a expansão acelerar até 2028. Até então, o cheque de dividendos ficou 60% maior.

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Paul Dawes
Paul Dawes
Currency & Commodities Strategist — Paul Dawes is a Currency & Commodities Strategist at Finonity with over 15 years of experience in financial markets. Based in the United Kingdom, he specializes in G10 and emerging market currencies, precious metals, and macro-driven commodity analysis. His expertise spans institutional FX flows, central bank policy impacts on currency valuations, and safe-haven dynamics across gold, silver, and platinum markets. Paul's analysis focuses on identifying capital flow turning points and translating complex cross-asset relationships into actionable market intelligence.

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