Acordo Nuclear Saudita: Proposta dos EUA Concederia Direitos de Enriquecimento de Urânio, Quebrando Precedente do Golfo

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Documentos do Congresso revelam que o projeto de acordo de cooperação nuclear do governo Trump com Riad inclui provisões para enriquecimento de urânio — um afastamento do modelo regional de não-proliferação que poderia acelerar uma corrida armamentista no Oriente Médio.

A Arábia Saudita parece prestes a obter capacidades de enriquecimento de urânio sob um acordo de cooperação nuclear proposto com os Estados Unidos, de acordo com documentos do Congresso revisados pela Arms Control Association e confirmados pela Associated Press. A revelação chega em um momento particularmente volátil na geopolítica do Oriente Médio, com as negociações nucleares EUA-Irã sendo retomadas em Genebra e o pacto de defesa recentemente formalizado de Riad com o Paquistão, armado nucleamente, já redesenhando a arquitetura de segurança da região.

O Que o Acordo Preliminar Contém

O acordo proposto, perseguido tanto pelos governos Trump quanto Biden, estabeleceria salvaguardas bilaterais com a International Atomic Energy Agency cobrindo o que os documentos descrevem como as “áreas mais sensíveis à proliferação da potencial cooperação nuclear”. Essas áreas incluem explicitamente enriquecimento de urânio, fabricação de combustível e reprocessamento — todos processos com aplicações diretas em armas. Kelsey Davenport, diretora de política de não-proliferação da Arms Control Association, alertou que uma vez que as salvaguardas da IAEA estejam em vigor, o acordo abriria a porta para a Arábia Saudita adquirir tecnologia de enriquecimento, potencialmente dos próprios Estados Unidos. A estratégia nuclear mais ampla do governo Trump prevê 20 acordos nucleares comerciais mundialmente, com o arranjo saudita sozinho avaliado em vários bilhões de dólares.

O Padrão Ouro em Ruínas

Os termos propostos representam um afastamento radical do precedente estabelecido pelos vizinhos Emirados Árabes Unidos. Quando Abu Dhabi construiu sua usina nuclear Barakah com assistência sul-coreana sob um “acordo 123” dos EUA, renunciou explicitamente às capacidades de enriquecimento e reprocessamento — um modelo que especialistas em não-proliferação há muito defenderam como o padrão ouro para cooperação nuclear civil. Conceder a Riad direitos que foram negados a Abu Dhabi arrisca minar a estrutura de não-proliferação que a própria Washington defendeu em todo o Golfo. O documento do Congresso justifica a mudança argumentando que a cooperação nuclear avançaria os interesses de segurança nacional dos EUA e ajudaria a indústria americana a competir com China, França e Rússia no mercado global de tecnologia nuclear.

O Fator Paquistão

As preocupações de proliferação são amplificadas pelo Acordo de Defesa Mútua Estratégica da Arábia Saudita com o Paquistão, assinado em 17 de setembro de 2025, no Palácio Al-Yamamah em Riad. O pacto — o primeiro do tipo entre um estado árabe do Golfo e uma nação armada nucleamente — estipula que qualquer agressão contra um país constitui agressão contra ambos. O Ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Mohammad Asif, inicialmente declarou que o programa nuclear de seu país seria “disponibilizado” à Arábia Saudita se necessário, embora tenha posteriormente retratado o comentário. A ambiguidade deliberada, no entanto, remodelou os cálculos de ameaça regionais. O próprio Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman anteriormente declarou que as crescentes ambições estratégicas da Arábia Saudita se estendem ao domínio nuclear, afirmando que buscaria armas se o Irã as obtivesse.

Negociações com o Irã Adicionam Urgência

O momento é particularmente sensível dadas as negociações nucleares EUA-Irã em andamento. As conversas mediadas por Omã foram retomadas em Genebra em 18 de fevereiro, com o Ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi relatando progresso em direção a “princípios orientadores” para um acordo potencial. A Bloomberg reportou em 21 de fevereiro que Washington efetivamente aceitou a posição de Teerã sobre continuar o enriquecimento de urânio, com as negociações agora focadas em parâmetros técnicos como números de centrífugas e níveis de enriquecimento em vez de uma parada completa. O Irã atualmente possui aproximadamente 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60% de pureza — um curto passo técnico do limite de 90% para grau de armas. Se Washington simultaneamente permitir o enriquecimento saudita enquanto negocia limites no programa do Irã, a contradição poderia minar ambas as trilhas diplomáticas. A abordagem de política externa mais ampla do governo Trump já atraiu escrutínio por priorizar interesses comerciais sobre estruturas institucionais estabelecidas.

O Que Vem a Seguir

O acordo proposto ainda requer revisão do Congresso sob a Seção 123 do US Atomic Energy Act, e oposição bipartidária é provável. Críticos argumentam que conceder direitos de enriquecimento a um reino que mostrou pouco interesse em responsabilidade democrática — e que mantém uma aliança de defesa com um estado armado nucleamente — estabelece um precedente perigoso para toda nação aspirante nuclear. A Arms Control Association alertou explicitamente que o governo pode não ter pesado completamente os riscos de proliferação ou o sinal que este acordo envia globalmente. Para o Oriente Médio, o cálculo é direto: se a Arábia Saudita enriquece urânio, o incentivo para outras potências regionais buscarem capacidades similares apenas cresce, potencialmente desencadeando a própria corrida armamentista que décadas de diplomacia de não-proliferação buscaram prevenir.

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Artur Szablowski
Artur Szablowski
Chief Editor & Economic Analyst - Artur Szabłowski is the Chief Editor. He holds a Master of Science in Data Science from the University of Colorado Boulder and an engineering degree from Wrocław University of Science and Technology. With over 10 years of experience in business and finance, Artur leads Szabłowski I Wspólnicy Sp. z o.o. — a Warsaw-based accounting and financial advisory firm serving corporate clients across Europe. An active member of the Association of Accountants in Poland (SKwP), he combines hands-on expertise in corporate finance, tax strategy, and macroeconomic analysis with a data-driven editorial approach. At Finonity, he specializes in central bank policy, inflation dynamics, and the economic forces shaping global markets.

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