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A participação do Bitcoin no valor de mercado das criptomoedas está subindo não porque dinheiro está entrando — mas porque tudo o mais está sangrando mais rápido. Com fevereiro caminhando para um quinto fechamento mensal consecutivo no vermelho, o pior início de ano já registrado, e saídas de ETF superando US$ 6 bilhões, a era pós-ETF está passando pelo seu primeiro teste real de estresse.
Existe uma versão do aumento da dominância do Bitcoin que parece otimista — capital fresco rotacionando para fora de altcoins especulativas e entrando no ativo âncora do mercado antes de uma nova pernada para cima. Esta não é essa versão. A dominância do Bitcoin subiu para aproximadamente 60% da capitalização total do mercado cripto, de acordo com dados da Coinbase de 21 de fevereiro, mas o movimento reflete posicionamento defensivo ao invés de convicção. A dominância das altcoins caiu para cerca de 30%, com muito do fluxo de saída indo para stablecoins ao invés de rotacionar para BTC. O mercado não está escolhendo Bitcoin — está se escondendo nele.
Os Números Contam uma História Brutal
O Bitcoin abriu 2026 próximo a US$ 88.700. Cinquenta dias depois estava sendo negociado por volta de US$ 68.000, um declínio de 23% que a CoinDesk identificou como o pior início de qualquer ano na história do Bitcoin. O token nunca havia registrado perdas consecutivas em janeiro e fevereiro, mas aqui estamos: janeiro fechou em queda de 10%, e fevereiro está registrando aproximadamente 12,6% de baixa até a metade do mês. Se fevereiro terminar no vermelho — e nos níveis atuais quase certamente terminará — marca cinco declínios mensais consecutivos que se estendem até outubro de 2025, quando o Bitcoin atingiu o pico logo acima de US$ 126.000. Essa seria a mais longa sequência mensal de perdas desde 2018.
O crash de 5 de fevereiro foi o ponto de exclamação. O Bitcoin mergulhou brevemente abaixo de US$ 61.000 em uma única sessão que a equipe de ativos digitais da VanEck mediu como um movimento de desvio padrão negativo de 6,05 no Z-score da taxa de mudança — estatisticamente, um dos crashes de um único dia mais rápidos da história das criptomoedas. As liquidações em todo o mercado de derivativos totalizaram entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões naquela semana, com aproximadamente US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões concentrados apenas em futuros de Bitcoin. A questão se o Bitcoin pode reconquistar US$ 72.000 e mantê-lo se tornou o ponto focal de curto prazo para traders observando a tentativa de recuperação.
Instituições Estão Vendendo, Baleias Estão Comprando
A estrutura de mercado pós-ETF que deveria profissionalizar o Bitcoin está fazendo exatamente isso — só que não da forma que os otimistas esperavam. Os ETFs spot de Bitcoin dos EUA registraram aproximadamente US$ 6,18 bilhões em saídas líquidas cumulativas desde novembro de 2025, de acordo com a plataforma de análise on-chain Spoted Crypto. O Goldman Sachs cortou suas participações em ETF de Bitcoin em 39,4% apenas no quarto trimestre de 2025. O IBIT da BlackRock, que já foi o cartão de visita da adoção institucional de cripto, tem registrado resgates diários regulares, perdendo US$ 84,2 milhões em uma única sessão em 18 de fevereiro.
Mas por baixo do êxodo institucional, algo mais está acontecendo. Baleias — carteiras detendo mais de 1.000 BTC — acumularam mais de 100.000 BTC desde o início de 2026, de acordo com dados da corretora BingX. Em 6 de fevereiro, quando o Crypto Fear and Greed Index atingiu 9, sua menor leitura desde o colapso da FTX em 2022, grandes detentores moveram quase 67.000 BTC para endereços de acumulação em um único dia. É a divergência clássica: dinheiro regulamentado correndo para as saídas enquanto os maiores players on-chain silenciosamente se abastecem. Se as baleias estão cedo ou simplesmente erradas definirá o próximo trimestre.
Altcoins Pegos no Fogo Cruzado
O mercado de altcoins está sofrendo danos desproporcionais. Dados da Blockscholes do início de fevereiro mostraram a dominância das altcoins caindo mais de 5 pontos percentuais para cerca de 30%, enquanto os volumes de negociação de altcoins na Binance caíram aproximadamente 50% dos níveis de novembro. SOL, ETH e XRP todos tiveram desempenho inferior aos retornos já ruins do BTC. O cenário cripto mais amplo em fevereiro de 2026 foi definido menos por narrativas individuais e mais por uma fuga generalizada do risco — capital fluindo para stablecoins ao invés de rotacionar dentro do ecossistema.
O Que Quebra a Sequência
O caso baixista é simples: o Bitcoin agora é negociado como um ativo macro alavancado, e o macro não está cooperando. Atas hawkish do Fed da reunião do FOMC de janeiro mencionaram a possibilidade de aumentos nas taxas, o dólar americano se fortaleceu, e ativos de risco em geral estão sob pressão. Analistas da CryptoQuant notaram que o Bitcoin quebrou abaixo de sua média móvel de 365 dias pela primeira vez desde março de 2022 e declinou 23% nos 83 dias desde essa quebra — pior que a fase equivalente do mercado baixista do início de 2022.
O caso otimista repousa na acumulação das baleias, leituras de sentimento extremo que historicamente precedem reversões, e a meta mantida da Bernstein de US$ 150.000 para o final do ano. O valor de mercado das stablecoins como participação do cripto total fica em torno de 8%, um nível previamente associado com capital disponível esperando nas laterais. A questão é se algum catalisador — uma virada do Fed, um avanço regulatório, ou um short squeeze contra as posições vendidas de US$ 5,45 bilhões sinalizadas por analistas — chega antes que a pressão de venda se esgote. Seis perdas mensais consecutivas igualariam o recorde histórico do Bitcoin de 2018. Março nos dirá se esta é uma correção profunda ou o início de algo pior.