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O BNP Paribas tokenizou um fundo do mercado monetário na rede principal do Ethereum através de sua plataforma AssetFoundry em 20 de fevereiro, com acesso autorizado, zero detalhes públicos e nenhum envolvimento do varejo. Ainda assim, é uma das coisas mais importantes que um banco europeu já fez on-chain.
Vamos direto ao ponto: o BNP Paribas — o maior banco da Europa, com mais de US$ 3 trilhões em ativos, uma instituição globalmente importante para o sistema — emitiu uma classe tokenizada de ações de um fundo do mercado monetário domiciliado na França no Ethereum público. Não uma chain privada. Não um sandbox. A rede principal do Ethereum, a mesma rede que liquida US$ 175 bilhões em stablecoins e hospeda US$ 17 bilhões em ativos tokenizados do mundo real.
Isso importa mais que o próprio fundo.
O Que Realmente Aconteceu (e O Que Não Aconteceu)
O BNP Paribas Asset Management atuou como emissor. O Securities Services cuidou da agência de transferência. A plataforma AssetFoundry do CIB forneceu a camada de tokenização e conectividade blockchain. Tudo foi um experimento intra-grupo — sem investidores externos, sem colocação pública, sem acesso do varejo. O banco não divulgou nem o tamanho da emissão nem quaisquer endereços on-chain. As chaves privadas foram mantidas pelo Securities Services em um ambiente controlado — infraestrutura custodiada, não autocustódia, e definitivamente não DeFi em qualquer sentido significativo.
O modelo autorizado usa tokens controlados: apenas participantes na lista de aprovados podem mantê-los ou transferi-los. Pense nisso como um jardim murado construído em uma rodovia aberta. A blockchain é pública. O acesso não é.
Este não é o primeiro experimento de tokenização do BNP Paribas. Em 2025, o banco executou um piloto similar em uma blockchain privada em Luxemburgo. A mudança deliberada para o Ethereum sinaliza um movimento além da fase de laboratório para testar se produtos regulamentados podem viver em infraestrutura pública sem comprometer a governança.
A Jogada Maior: Doze Bancos, Uma Stablecoin de Euro
O fundo tokenizado é apenas metade da história. O BNP Paribas está simultaneamente cofundando a Qivalis, uma joint venture com sede em Amsterdã com outros onze bancos europeus — ING, UniCredit, CaixaBank, BBVA, Danske Bank, DekaBank, DZ Bank, KBC, Raiffeisen Bank International, SEB e Banca Sella. O consórcio, ao qual o BBVA se juntou no início de fevereiro de 2026, está construindo uma stablecoin atrelada ao euro compatível com MiCA, com lançamento comercial previsto para o segundo semestre de 2026, pendente de uma licença de instituição de moeda eletrônica do Banco Central Holandês.
Jan-Oliver Sell, ex-Coinbase Germany, está comandando como CEO. Sir Howard Davies, ex-presidente do NatWest e da Financial Services Authority do Reino Unido, preside o conselho supervisório. A ambição é explícita: uma alternativa europeia ao mercado de stablecoins dominado pelo dólar, onde USDT e USDC respondem por cerca de 85% de uma classe de ativos de mais de US$ 300 bilhões e tokens denominados em euro têm uma oferta combinada de apenas US$ 670 milhões.
Juntando as duas iniciativas — fundos tokenizados no Ethereum mais uma stablecoin de euro apoiada por bancos — o BNP Paribas não está apenas experimentando. Está construindo trilhos.
A Corrida Que Já Está Acontecendo
O BNP Paribas não é pioneiro nisso. O fundo BUIDL da BlackRock, tokenizado através da Securitize, detém aproximadamente US$ 2,2 bilhões em Treasuries americanos no Ethereum, Solana e cinco outras chains. Em 11 de fevereiro, a BlackRock listou o BUIDL no Uniswap — a primeira vez que uma grande gestora de ativos tornou um fundo tokenizado negociável em uma exchange descentralizada. O JPMorgan lançou seu próprio fundo do mercado monetário tokenizado, MONY, no Ethereum em dezembro de 2025, com US$ 100 milhões iniciais. O Digital Interest Token da Fidelity ultrapassou US$ 250 milhões em novembro. O mercado de RWA tokenizado apenas no Ethereum cresceu aproximadamente 315% ano a ano para exceder US$ 17 bilhões, segundo The Block, e a rede lida com cerca de 34% de todo valor RWA on-chain globalmente.
O que o BNP Paribas adiciona é uma âncora europeia. BlackRock, JPMorgan e Fidelity são empresas americanas operando sob estruturas regulatórias dos EUA e denominando em dólares. O BNP Paribas é um G-SIB da zona do euro operando sob MiCA. Se a tokenização vai se tornar uma infraestrutura financeira transatlântica em vez de uma história apenas americana, os bancos europeus precisam estar on-chain — e agora o maior deles está.
ETH a US$ 1.830 Enquanto Instituições Fazem Fila
Aqui está a desconexão que deveria fazer você prestar atenção: a adoção institucional do Ethereum como infraestrutura de liquidação está acelerando, e o preço do ETH está fazendo exatamente o oposto. Em 24 de fevereiro, ETH está negociando a cerca de US$ 1.830, queda de cerca de 37% dos US$ 3.044 de apenas um mês atrás. A média móvel de 200 dias fica perto de US$ 2.980 — mais de mil dólares acima do preço à vista. O RSI está em 30, sobrevendido. O Índice de Medo e Ganância marca 8.
A faixa de 52 semanas conta a história completa: US$ 1.388 a US$ 4.956. ETH está mais próximo de sua mínima anual do que de sua máxima, e está chegando lá enquanto a BlackRock lista Treasuries tokenizados no DeFi, o JPMorgan constrói fundos do mercado monetário na rede principal, e doze bancos europeus constroem uma stablecoin de euro que precisará de infraestrutura compatível com Ethereum para funcionar. Se o preço vai alcançar a adoção ou se a adoção vai estagnar para acompanhar o preço é a questão que definirá o resto de 2026.
Planeje-se adequadamente.