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Jeff Bezos se transformou de símbolo da inovação da internet em emblema de como os ultra-ricos podem devastar o jornalismo. O fundador da Amazon anunciou demissões em massa no Washington Post na semana passada que eliminaram quase metade de sua força de trabalho de 790 funcionários, marcando o que o ex-jornalista do Post Paul Farhi chamou de “a maior eliminação de jornalistas em um único dia de uma geração”.
As demissões foram comunicadas à equipe por videochamada no que foi descrito como um processo brutalmente conduzido. Os cortes devastaram a cobertura internacional do jornal, eliminando metade de seus escritórios estrangeiros, incluindo o correspondente de guerra que reportava da Ucrânia. A gravidade das perdas de emprego gerou comparações com as infames demissões em massa da P&O Ferries, destacando a forma insensível com que o anúncio foi feito.
De Pioneiro da Internet a Destruidor de Notícias
A ironia é gritante para Bezos, que foi nomeado Pessoa do Ano pela revista Time em 1999. Na época, ele disse aos jornalistas que a honra “não estava escolhendo tanto a mim quanto estava escolhendo a internet, e eu como símbolo”. Um quarto de século depois, ele se tornou um símbolo novamente – mas desta vez representando como hipercapitalistas podem sistematicamente desmantelar o jornalismo de qualidade quando interesses privados se sobrepõem ao serviço público.
O Washington Post, antes considerado um dos maiores jornais da América, agora exemplifica os perigos de colocar organizações de notícias sob o controle de proprietários bilionários cujas lealdades primárias estão em outro lugar. A administração de Bezos tem sido caracterizada como vergonhosa, demonstrando o quanto a sociedade perde quando o interesse público se torna secundário à riqueza privada.
Indústria Sob Cerco
Embora cortes de emprego na indústria de notícias não sejam sem precedentes – o setor tem enfrentado dificuldades financeiras desde que a internet disrumpiu os modelos de negócios tradicionais – a escala e a forma das demissões do Washington Post representam um novo ponto baixo. A indústria jornalística ao redor do globo tem enfrentado pressões similares conforme a transformação digital tem corroído as fontes de receita tradicionais de publicidade impressa e assinaturas.
Implicações Mais Amplas para a Independência da Mídia
Os cortes no Washington Post servem como um conto de advertência sobre a concentração da propriedade de mídia entre os ultra-ricos. Quando organizações de notícias se tornam brinquedos para bilionários, a independência editorial e o jornalismo de serviço público inevitavelmente sofrem. A eficiência brutal com que quase 400 jornalistas foram demitidos ilustra quão rapidamente reportagens de qualidade podem ser sacrificadas por medidas de corte de custos.
O timing da eliminação da cobertura internacional, incluindo a posição do correspondente na Ucrânia durante um conflito ativo, ressalta como a propriedade privada pode comprometer a capacidade das organizações de notícias de servir ao interesse público durante eventos globais críticos.