Brent Vive Seu Pior Mês Desde o Crash da COVID — e o Dólar Não Sabe Para Onde Ir

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O dólar está em 99 e não consegue se decidir. O PCE veio fraco na quinta-feira, os rendimentos caíram e o coro por corte de juros ficou mais alto. Logo depois, a Guarda Revolucionária do Irã mirou quatro navios americanos no Estreito de Hormuz — e a demanda por porto seguro voltou na hora. Enquanto isso, o Fed acabou de entregar a votação mais fraturada desde outubro de 1992, e o novo presidente ainda não conduziu uma única reunião. Três forças puxando em três direções. O dólar não vai a lugar nenhum.

O PCE Mudou o Jogo

O número do PCE de quinta-feira era o que todo mundo estava esperando. Veio mais fraco que o esperado, dando continuidade a uma tendência desinflacionária que vem perdendo força desde meados de 2025. A leitura mensal tirou qualquer argumento para alta de juros no curto prazo, e os rendimentos dos Treasuries reagiram imediatamente, recuando ao longo de toda a curva.

Para o dólar, isso deveria ter sido um sinal baixista limpo. Inflação mais fraca significa menos pressão sobre o Fed para manter os juros em 3,50%-3,75%, o que significa que a vantagem de rendimento que vinha sustentando o greenback começa a erodir. Em qualquer semana normal, isso bastaria para empurrar o DXY abaixo de 99 com convicção.

Mas esta não foi uma semana normal.

Quatro Navios no Estreito

Horas depois de o número do PCE ter se assentado nas telas, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter mirado quatro embarcações americanas tentando cruzar o Estreito de Hormuz. Os militares dos EUA confirmaram que conduziram ataques de autodefesa no sul do Irã. O secretário de Estado Rubio disse que um acordo final ainda poderia levar mais alguns dias. O secretário do Tesouro Bessent afirmou que os preços do petróleo acabariam ficando abaixo dos níveis pré-conflito — uma declaração curiosa quando navios estão sendo alvejados.

O Brent fechou a $88,90, praticamente de lado. O ouro reverteu sua queda de várias sessões e encerrou em alta de 0,88%, perto de $4.497. As moedas de commodities — dólar australiano, neozelandês e canadense — registraram os maiores ganhos contra o dólar no dia. Essa combinação diz muito: o mercado está tratando a situação com o Irã como ruído, não como sinal. Petróleo não disparou. Ouro está demandado, mas sem pânico. Os fluxos de porto seguro para o dólar não estão se sustentando.

Um Fed Que Não Consegue Concordar Consigo Mesmo

Agora vem a parte que merece mais atenção do que está recebendo. A reunião do FOMC de abril manteve os juros em 3,50%-3,75% com uma votação de 8 a 4. É o maior número de dissidentes desde 1992. Oito governadores votaram pela manutenção, enquanto quatro pressionaram para agir. A maioria venceu, mas quatro votos divergentes em um banco central que preza pelo consenso não é rotina. É um comitê se fragmentando em tempo real.

E então a liderança mudou. O mandato de Powell como presidente terminou em 15 de maio. Kevin Warsh deve conduzir seu primeiro FOMC em 16-17 de junho. Ninguém sabe como será um Fed liderado por Warsh na prática. O mercado aposta em hawkish, mas apostar não é precificar. Até que Warsh realmente conduza uma reunião e entregue um comunicado, o dólar negocia em cima de um vácuo de liderança no banco central mais importante do mundo.

Esse vácuo é uma das razões pelas quais o DXY está travado. O PCE diz “corte”. O Estreito diz “segure”. O Fed diz “a gente avisa daqui a três semanas, quando o novo chefe tiver se sentado na cadeira”.

As Ações Nem Ligam

S&P 500, Nasdaq e Dow fecharam em máximas históricas na quinta-feira. O S&P bateu 7.563, o Dow cruzou 50.668 e o Nasdaq ultrapassou 26.900. Dell disparou 28% com uma perspectiva de infraestrutura de IA que pegou o mercado de surpresa. Snowflake saltou 36,5% com receita acima das expectativas. O mercado de ações está precificando petróleo mais barato, juros mais baixos e nenhuma escalada. Caminha para a nona semana consecutiva de alta — a maior sequência de ganhos desde 2023 e algo que aconteceu apenas um punhado de vezes nas últimas quatro décadas.

Essa divergência entre ações e dólar merece atenção. No mesmo dia em que as bolsas bateram recordes, o PIB do 1T foi revisado de 2,0% para 1,6%. A economia está desacelerando. As ações não se importam. Se o cessar-fogo se mantiver, o dólar perde sua demanda de porto seguro e o DXY tende a escorregar para a faixa baixa dos 90 até o 4T. Se o Estreito permanecer fechado, o petróleo dispara, a inflação reacele e o Fed terá que subir juros em plena transição de comando. Nenhum dos dois cenários é confortável para quem está carregando uma posição grande em dólar agora.

O Que Estou Monitorando Hoje

Bowman e Paulson, do Fed, estão na agenda. Qualquer sinalização sobre como a transição para Warsh altera o cálculo de juros importa mais do que o usual. A inflação preliminar de maio na Alemanha vai indicar se o argumento para alta do ECB ganha força — o que alimenta diretamente o EUR/USD. E qualquer manchete nova sobre o Irã no fim de semana vai definir o tom da segunda-feira.

O dólar a 99 não é um patamar. É uma pergunta que o mercado ainda não respondeu.

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Paul Dawes
Paul Dawes
Currency & Commodities Strategist — Paul Dawes is a Currency & Commodities Strategist at Finonity with over 15 years of experience in financial markets. Based in the United Kingdom, he specializes in G10 and emerging market currencies, precious metals, and macro-driven commodity analysis. His expertise spans institutional FX flows, central bank policy impacts on currency valuations, and safe-haven dynamics across gold, silver, and platinum markets. Paul's analysis focuses on identifying capital flow turning points and translating complex cross-asset relationships into actionable market intelligence.
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